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Junta de Freguesia de Caires

Largo da Igreja, N.º 2 
4720-233 Caires

Amares

Santa Maria de Quairas

Chamou-se de Santa Maria de Quairas e foi termo do concelho de Entre Homem e Cávado, da comarca eclesiástica de Braga e da secular de Viana do Lima.

História

A freguesia de Santa Maria de Caires pertenceu ao concelho de Entre Homem e Cávado, extinto em 31 de Dezembro de 1853, data em que passou para o concelho de Amares. Era abadia de apresentação da Mitra. Em 1758 existiam na paróquia duas confrarias, a de Nossa Senhora da Anunciação e a do Santíssimo Sacramento. Era nesta data tradição que a ermida de São Vicente, no lugar do mesmo nome, teria sido igreja paroquial da freguesia.

É paróquia da diocese de Braga.

 

Situada na encosta de S. Pedro-fins, abrigada do norte, é fértil de todos os cereais, vinho, azeite, e frutas, com as finíssimas laranjas e muito abundante também de caça miúda, sobretudo perdizes.

A padroeira é Nossa Senhora da Purificação (Candeias) com festividade própria a 2 de fevereiro.

Foi abadia apresentada pelo arcebispo de Braga.

Em 1706 tinha 104 vizinhos, em 1875 ia nos 167 por 706 almas.

Forma-se nesta freguesia e atravessa-a o ribeiro do Bárrio que, descendo por Amares e Ferreiros, desagua no Cávado com 3 quilómetros de curso; tem duas pontes de pedra, de um arco, a primeira em Caires, entre Outeiro e Sobrado, e a 2ª no lugar do Bárrio em Ferreiros, onde existiu um engenho de serrar madeira e depois uma fábrica de extração de resíduos do bagaço da azeitona.

Caires teve o seu velho castro que se pode considerar mais ou menos explorado.

Dizia P. Leal que à distância de uns 600 metros a NE da antiga residência paroquial, no sítio dos Grovos, havia vestígios de uma antiga povoação e restos de um castelo ou fortaleza, onde apareciam tijolos, canos de metal e ânforas de barro cheias de um pó negro, provavelmente cinza: e que em 1875 aparecera ume cova redonda, de metro e meio de diâmetro e outro tanto de profundidade, forrada de pedra, em forma de forno de coser pão. Que talvez fosse uma tulha subterrânea dos antigos celtas e lusitanos.

Que tinham aparecido igualmente pequenas mós de pedra, próprias para moer cereais, e pedras muito bem lavradas e com lavores.

O edifício da igreja mostra todos os vestígios do românico. Atribui-se ao século XI ou XII a sua construção.

Tem bons caminhos e é servida pela estrada municipal que vai da Feira Nova a Paredes-Secas, no lastro da Geira.

Existem, na freguesia, 3 capelas:

A 1ª de S. Bento, e, desde 1843, que se mudou para aqui da igreja a imagem do Bom Jesus Cruxificado, passou a ser do Senhor da Salvação.

A 2ª de N. S.ª da Lapa, pertencente à casa dos Rios, foi reedificada em 1761, sendo, portanto, muito antiga.

A 3ª de S.to António, na quinta e lugar de Castro, foi construída em 1851.

No cume do monte a de S. Pedro-fins, mais uma capela edificada entre esta freguesia e a de Caldelas; é antiquíssima. Consta ter sido reedificada e ampliada em 1869, que lhe foi feita sacristia à custa de um devoto e dos párocos das respetivas freguesias.

Houve outra capela, de S. Vicente, no lugar do mesmo nome, mas foi demolida em 1815.

In Silva, Domingos - "Monografia do Concelho de Amares"

Santa Maria de Quairas

 

A igreja de Santa Maria de Quaires está situada na província do Minho, Arciprestado de Braga, concelho de Entre Homem e Cávado, da comarca eclesiástica de Braga, da secular de Vianna do Lima.

Hé de apresentação e collaçam da Mitra de Braga.

(...) Está situada, encostada pello Norte ao Monte de Sam Pedro Fins e Orjães, pelo Nascente ao do Goda e pelo Poente ao da Jubrea tudo dos seus limites, e pelo Sul em Campinas, o do monte de Sam Pedro Fins se descobre a cidade de Braga em distancia de duas legoas e a villa de Barcellos em distancia de cinco.

He do termo do ditto concelho de Entre Homem e Cavado.

A Parochia, que he de hûa só nave, está no meyo do Iugar chamado da Igreja, e consta de hûas letras antigas na pedra que está na quinta do frontespício da parte do Sul ser fundada no anno de mil cento e vinte e hum, e tem vinte e dous lugares que são = o da Igreja, Pruzello, Rosadas, Monte de Baixo, Soutello, Ribeira, Penas, Cruz, Monte, Passo, Crasto, Tornadouro, Cazinhado, São

Vicente, Portelinha, Quintã de Cima, Rios, Sobrado, Freyxeiro, Montinhões e Outeyro.

O seu orago he Nossa Senhora da Puficação a dous de Fevereiro; e tem altar-mor e dous collaterais hum da nossa Senhora da Anunciação, outro de São Brás, e huma capella chamada do Santo Christo, com suas imagens, cada hua em seu retabolo e altar, hua do Senhor Crucificado e outra do Senhor com a cruz no hombro, ambas em vulto, e muy devotas. Tem irmandade ou confraria do Santissimo Sacramento no altar-mor e conta ser a primeira que houve no dito concelho, e a de Nossa Senhora da Anunciação no seu aliar colateral, acima dito.

(..) Tem tres ermidas, hûa de San Bento no lugar da Igreja e terra do assento della, outra de São Vicente no seu lugar e terra do assento da Igreja, outra de São Pedro Fins, no alto monte da sua invocação, distante de casas hum quarto de legoa; e de todas tres tem o Parocho a administração e são do povo devoto que as fabrica; e há tradição que a de Sam Vicente fora nos seculos passados a parochia da ditta freguesia.

E à mesma ermida de São Vicente vão de tempos antiquíssimos, no seu dia (22) vinte e dous de janeiro os fregueses de Quaires com o seu Parocho em clamor e algûas freguesias circunvizinhas; no primeiro de Agosto à de São Pedro Fins vão as dezoito freguesias do concelho e couto de Rendufe o elle unido em procissão que principia na igreja parochial desta freguesia de Quaires com assistencia do Senado da camara; à festa do mesmo Santo Appostolo repetindo pello decurso dos annos a mesma procissão quando he necessária temperança no tempo para os frutos e colheitas, experimentando efectiva intervenção do Santo; e também para a queixa de cansamento as pessoas que de varias partes vão em qualquer tempo de manhã à ditta hermida, que está no meio dos limites desta frequesia e da de Sant’Iago de Caldelas.

Os frutas que com mais abundancia se colhem nesta freguesia são milhão, vinho, azeite e feijão.

(…) Dista da cidade de Braga, capital do Arcebispado, legoa e meia e da de Lisboa sessenta e hûa e meya.

Tem no Cabido, à porta da igreja huus pedestaes grandes e redondos com letras antiguas na circunferencia, que não se entendem, e mostram ser do tempo dos Romanos, correspondentes aos do caminho da Geira dos mesmos.

Está no passal do Abbade hum bago com agoa nativa, cercado de tres partes de parede, com cobertas de cantaria e do lado Nascente aberto em rocha da altura de vinte palmas, e de largura cincoenta. Nelle se crião peixes, enguias grandes escallos e bogas, e fica por cima delle hua carreyra para passeyo de dobrado comprimento, e no principio della para o Sul, e estrada publica hum mirante com quatro grandes colunas quadradas em que assentava o emadeiramento e forro dele; e com a agoa que sahe do mesmo lago e que nasce nos campos do passal, e a que vem do ribeyro da Foz moe  o lagar de azeite, que he da igreja.

Não há nesta freguesia serra, e só o ditto alto monte de São Pedro Fins, em que se diz principiao as do Gerez, que fica distante cinco legoas. Há para a parte do Poente, do ditto monte um cabesso, e rochedo, chamado Castello, com vestigios feitos na penha que ainda mostrão a propriedade do nome, e hûa casa subterranea nomeada do hermitao, digo, do hermitao, por nella haver hum há muitos anos.

(…) Não há nesta freguesia Rio, mas hua ribeira que principia nella junto à freg. de Paredes Secas para o Norte, com cujas agoas regão os moradores as suas terras livremente, tendo-as entre si partidas; e hum lagar de azeite de rodízio, que hé alem do da Igreja já ditto q que hé de toda a Copeyra, e gue fica em outro ribeiro. E naquella, no sítio do Outeiro ha hua ponte de Pedra de hum só arco de cantaria.

Parte de Nascente com a freguesia de São Salvador de Dornellas, e São Miguel de Paredes Secas; e do Poente com as de São Payo de Besteyros, e São Pedro da Portella; e do Norte com as de São Lourenço de Paranhos, San Tiago de Caldelas; e do Sul com as de Santa Maria de Ferreyros, São Salvador de Amares e São Pedro de Figueiredo.

 

Dezoito de Mayo de mil e settecentos e cincoenta e outo. (1758)

Manoel Gls Simoens, Abbade de Quaires

 

 

 

Caires, a história...

Caires foi já, outrora, o termo do concelho de Entre Homem e Cávado, da comarca eclesiástica de Braga e da secular de Viana do Lima.

A sua igreja é templo de raiz românica muito alterado mas conservando vestígios da antiga traça.

A capela de S. Pedo Fins, no monte de S. Pedro Fins, (é de edificação rústica de fundação muito antiga e foi reconstruída em 1869) é meeira - isto é, partilhada com Caldelas. Por isso, as festas em honra do santo são feitas alternadamente pelas duas freguesias.

Nesta freguesia, fala-se de terem havido muitos moinhos de água, em diversos ribeiros, mas tendo sido estes devastados por uma cheia.

Ponto importante de referência é também a passagem da Estrada da Geira por esta freguesia, que também dá nome a um lugar por onde esta passa.

Mas anterior a todas estas coisas era a Cidade de Bisbaia.  Falam as pessoas mais idosas, que na zona do lugar do Crasto, houve uma civilização que ali habitou. Existem vestígios, em pedra, encontradas nessas zonas como: relógios de sol, pedras de moinhos, beirais das portas das habitações, triscelos (significam sol), etc. Foi encontrado, também, um forno antigo, quando se abriu a estrada para S. Pedro Fins.

No cimo do monte existe um aglomerado de penedos a que chamam o Castelo. Este castelo deve remontar ao tempo da Cidade de Bisbaia, e teria sido, talvez, a sua fortaleza. Debaixo das pedras, que constituem o dito Castelo, afirma-se existir uma passagem subterrânea que se dirige para a freguesia de Caldelas.

Mas além de todas estas coisas antigas, também se fala de lendas nesta freguesia. Uma das grandes lendas, digo antiquíssima, é a do Penedo da Moura. Esta lenda, contam-na as pessoas, que num penedo situado no fugar de S. Vicente, tem dentro de si muitas riquezas, tais como: ouro, imagens de santos, e muitas outras maravilhas. Mas para se conseguir alcançar esta proeza é necessária muita coragem. Tara tal, tem de se deslocar até junto do Penedo da Moura, numa noite de S. João ou de S. Pedro, desenhar um S. Selimão, no chão, acender quatro velas à volta, pegar no livro de S. Cipriano e lê-lo com toda a coragem e sem temor, dentro do dito S. Selimão. Enquanto se faz a leitura, aparecerão muitas coisas feias e más, para assustar, e apoquentar os heróis, tais como: serpentes, bichos, etc. Caso a pessoa consiga ler o livro até ao fim, o penedo abrir-se-á e dará todas as suas riquezas. Seja esta lenda verdadeira ou não, há ditos penedos, marcas esculpidas, ao qual se desconhece o significado.